Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



E as moscas voam em volta do candeeiro

24.12.13

 

Silêncios, silêncios de todos os géneros circulam no meu sangue. Silêncios inexplicáveis, silêncios que vêm dalgum lado desconhecido do meu corpo, do sul muito ao sul da memória. E as moscas voam em volta do candeeiro, desesperadamente. O silêncio mais constrangedor emana-se delas, do ruído surdo das asas cortando o ar. Ouço-me agora atentamente, as mãos cansadas sobre a mesa de trabalho. Não me ocorre qualquer palavra escrever. A noite acende-se pelas paredes, abro a janela e um rumor de mar chega até mim.  Os roncos dos petroleiros no porto, o zumbido laminar dum insecto. Apoio-me ao parapeito e começo a esmigalhar as formigas que passam. Que horas serão no tremer inquieto do coração? Uma ave nocturna levantou voo, por entre as palmeiras, e noite tornou-se mais escura. Incompreensível, distante desta janela. O silêncio abate-se também sobre o rosto. Sinto-o quente no lado de dentro da pele. Gostava de falar em voz alta comigo mesmo, mas tenho medo.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)




Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D


Visitas


Pesquisar

Pesquisar no Blog