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onde corpos e corpos se repetem

24.10.14

 

Que música escutas tão atentamente
            que não dás por mim?
            Que bosque, ou rio, ou mar?
            Ou é dentro de ti
            que tudo canta ainda?
            Queria falar contigo,
            dizer-te apenas que estou aqui,
            mas tenho medo,
            medo que toda a música cesse
            e tu não possas mais olhar as rosas.
            Medo de quebrar o fio
            com que teces os dias sem memória.
            Com que palavras
            ou beijos ou lágrimas
            se acordam os mortos sem os ferir,
            sem os trazer a esta espuma negra
            onde corpos e corpos se repetem,
            parcimoniosamente, no meio de sombras?
            Deixa-te estar assim,
            ó cheia de doçura,
            sentada, olhando as rosas,
            e tão alheia
            que nem dás por mim.


 

 

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como se nada dissesse vai afinal dizendo tudo.

23.09.14

 

 

 

a música é assim: pergunta, insiste na demorada interrogação sobre o amor?, o mundo?, a vida?

não sabemos, e nunca o saberemos.
como se nada dissesse vai afinal dizendo tudo.
assim: fluindo, ardendo até ser fulguração
por fim o branco silêncio do deserto.
antes porém, como sílaba trémula, volta a romper, ferir, acariciar a mais longínqua das estrelas.

 

 

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Escuta-me, não te demoro.

31.07.14

 

 

 

Escuta, escuta:
tenho ainda uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei,
não vai salvar o mundo,
não mudará a vida de ninguém
- mas quem é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco mais.
Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

 

 

 

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Sabe...

22.07.14

 

 

 

Respiro o teu corpo: sabe a lua-de-água ao amanhecer, sabe a cal molhada, sabe a luz mordida, sabe a brisa nua, ao sangue dos rios, sabe a rosa louca, ao cair da noite sabe a pedra amarga, sabe à minha boca.

 

 

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Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

15.05.14

 

 

 

 

 

 

Creio que foi o sorriso,  o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar,  morrer naquele sorriso.

 

 

 

 

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Deve...deve mesmo

28.03.14

 

 

deve haver um lugar onde um braço

e outro braço sejam mais que dois braços
um ardor de folhas mordidas pela chuva,
a manhã perto nem que seja de rastos.
 

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(in)suportável

19.03.14

 

 

 

A solidão não é forçosamente negativa, pelo contrário, até me parece um privilégio. Talvez a minha solidão seja excessiva, mas eu detestei sempre as coisas mundanas. Estar com as pessoas apenas para gastar as horas é-me insuportável.

 

 

 

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Todas as palavras falam desse lume

09.01.14

 

É quando a chuva cai, é quando

olhado devagar que brilha o corpo.
Para dizê-lo a boca é muito pouco,
era preciso que também as mãos
vissem esse brilho, dele fizessem
não só a música, mas a casa.
Todas as palavras falam desse lume,
sabem à pele dessa luz molhada.

 

 

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Volto a ter oito anos neste jardim

27.11.13

 

 

 

Um barco atravessa o Tejo. Vem da infância, não sei para onde vai. É branco, dessa brancura só dada às aves. O rio, que não via há tanto tempo, entra agora pelas ruas de Lisboa ao encontro da tão amada luz dos jacarandás.
Volto a ter oito anos neste jardim, vou perder-me nestas ruas, nestas calçadas, onde o grito das gaivotas sobe a rumo, vou correr com o vento de esquina em esquina, subir com as árvores, ser com elas poeira fina.




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Alguém chamou...

30.10.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 Havia uma palavra no escuro. Minúscula. Ignorada. Martelava no escuro.

Martelava no chão da água. Do fundo do tempo, martelava. contra o muro.

Uma palavra. No escuro. Que me chamava.






 

 

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