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Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

16.09.14

 

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

 

 

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7 comentários

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De apeteciametanto a 16.09.2014 às 11:11

Bom dia Maria Rita
Os cereais andam a fazer mal (talvez muita fibra ingerida de uma só vez)???
Possivel resposta (Fernando Pessoa),
Agora é necessário que eu deva dizer que tipo de homem sou.......Toda a constituição do meu espírito é de hesitação e dúvida. Nada é ou pode ser positivo para mim, todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, uma incerteza para mim próprio. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo é significado. Todas as coisas são «desconhecidos» simbólicos do Desconhecido. Consequentemente horror, mistério, medo supra-inteligente.  Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo enquadramento da minha juventude, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isso eu sou das espécies internas de caráter, auto-centrado, mudo, não auto-suficiente mas auto-perdido. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror de, na incapacidade que permeia tudo o que me é, fisicamente e mentalmente, por actos decisivos, por pensamentos definidos. Eu nunca tive uma resolução nascida de uma auto-determinação, nunca uma traição externa de uma vontade consciente.... Eu não posso evitar o ódio do meu pensamento ao término; sobre uma única coisa tenho dez mil pensamentos, e dez mil inter-associações destes dez mil pensamentos surgem, e não tenho vontade de os eliminar ou prendê-los, nem para reuni-los num pensamento central, onde os seus detalhes sem importância, mas associados, podem ser perdidos. Eles passam em mim; eles não são os meus pensamentos, mas os pensamentos que passam por mim. Eu não pondero, eu sonho, eu não me inspiro, eu deliro. Eu posso pintar, mas nunca pintei; eu posso compor música, mas eu nunca compus. Concepções estranhas em três artes, belos traços de imaginação acariciam o meu cérebro, mas eu deixo que eles durmam lá até morrerem, porque não tenho poder para lhes dar corpo, para torná-los coisas do mundo exterior. O carácter da minha mente é tal que odeio os começos e os fins das coisas, porque são pontos definitivos. A idéia de uma solução a ser encontrada para os problemas, os mais elevados, os mais nobres, da ciência, da filosofia, aflige-me; que alguma coisa possa ser determinada de Deus ou do mundo horroriza-me..... No entanto, eu não sou mau nem cruel; eu sou louco, e, como tal, difícil de conseguir conceber alguma coisa. Embora eu tenha sido um leitor voraz e ardente, não me lembro de nenhum livro que li, até agora a minha leitura foram estados da minha própria mente, os sonhos de mim próprio, ou melhor, provocações de sonhos. A minha própria memória dos acontecimentos, de coisas externas, é vaga, mais do que incoerente. Tremo só de pensar o quão pouco eu tenho na minha mente acerca do que a minha vida passada tem sido. Eu, o homem que diz que hoje é um sonho, sou menos do que uma coisa de hoje. 
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De Maria Rita a 16.09.2014 às 11:19

já te levo umas telas, pincéis e tintas...nada como começar a pintar! :b
(e umas embalagens de memofante também ;)
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De apeteciametanto a 16.09.2014 às 11:31

4 meses de ausencia dá nisto, obs: aceito de bom grado a embalagem de memofante, aguardo.
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De Maria Rita a 16.09.2014 às 14:14

remetido por dhl!
quando receberes avisa! :)
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De apeteciametanto a 16.09.2014 às 14:21

DHL = DESIRE HOT LEVEL, de qualquer das maneiras agradeço.
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De Maria Rita a 16.09.2014 às 14:29

"4 meses de ausencia dá nisto"
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De apeteciametanto a 16.09.2014 às 14:36

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